feed32x32v.png favorite32x32.png
Assine via e-mail:

Sobre este blog:

Este é um diário do meu trabalho e pesquisa na área do Ensino de História. Tratará sobre diversos temas da História, dando destaque ao tempo presente. Além deste, meus principais interesses são: América Latina, movimentos populares e sociais, juventude, século XX e XXI e ensino.
Atualmente, sou bolsista PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) desenvolvendo atividades de História junto aos estudantes do Ensino Médio da Escola Técnica Estadual Irmão Pedro na zona norte de Porto Alegre.

Mais sobre a índia Obirici

Algumas pessoas conhecem o meu interesse pela estátua da índia Obirici. Eu cresci e vivi sempre na zona norte, em lugares próximos ao viaduto e, quando era criança, passeando com meu avô este me levou pra ver o chafariz e me contou a lenda que inspirou o monumento. É uma obra linda que atualmente está abandonada pelo poder público. Por tudo isso, sempre que posso, falo dela.
Dia desses, tínhamos que pensar numa sugestão de tema para que a equipe participante da Olimpíada Nacional em História do Brasil pela Escola Dolores Alcaraz Caldas elaborasse um texto como tarefa. Aqui vai a lenda da Obirici e o pequeno texto produzido pelas gurias (Raffaela Thamires dos Santos Monteiro, Francie Moreschi Bittencourt e Louise Pinheiro).


Monumento à Índia Obirici. Fotografia de 2008. Autoria de Marcelo Moreira. Disponível em: http://www.esculturagaucha.com.br/nelsonboeira.htm.


"O cacique dos tapimirins tinha uma filha muito linda chamada Obirici. Mas não era a única moça bonita da tribo. Havia uma que se igualava em beleza. Talvez fosse até mais bela que Obirici. Era a índia Iurá. Obirici e Iurá tinham se criado juntas. Eram moças da mesma idade. E muito amigas, desde o tempo de infância. Nunca houve entre elas rivalidade por causa da beleza.
O cacique dos tapiguaçus tinha um filho que se destacava por seu belo físico e pela valentia. Arakém era seu nome. O melhor guerreiro da tribo. Desde muito menino Arakém foi treinado por seu pai para as artes da guerra. Mas recebeu também muitos ensinamentos de compreensão e justiça. Por isso era um guerreiro diferente dos outros. Duro e implacável com o inimigo na hora do combate. Mas compreensivo e justo nos tempos de paz.
Atraída pelos encantos de Arakém, Obirici começou a sentir as emoções do amor. Mas ela precisava vencer, primeiro, a resistência do pai. Temia que ele não permitisse ser casamento com o filho do cacique tapiguaçi. E teve uma surpresa muito feliz. Seu pai concordou, pois tinha grande admiração pelo jovem guerreiro.
Mas nem sempre a felicidade é completa. Iurá, a amiga de infância de Obirici, também estava apaixonada por Arakém. Ao saber disso, Obirici ficou muito triste. Ela não se sentiria feliz com aquele casamento, pois se casasse com Arakém, faria sua grande amiga sofrer pelo resto da vida.
Arakém, por sua vez, gostava das duas. Mas se inclinava mais por Obirici, por ser ela a filha do cacique tapimirim. Ao saber que aquele era o motivo da preferência de Arakém, Obirici sentiu-se triste. E com profunda dor no coração, sugeriu a ele que ficasse com Iurá. O jovem guerreiro, entretanto, preferiu encontrar uma solução mais justa. Como as duas índias eram exímias no arco-e-flecha, ele propôs que se realizasse um torneio de arremesso ao alvo.
Mesmo sendo mais habilidosa no uso do arco-e-flecha, Obirici não conseguiu manter a concentração. Perdeu o torneio. E assim Iurá partiu com Arakém para a aldeia dos tapiguaçus. Obirici caiu em profunda tristeza. Sentou-se numa pedra e começou a chorar. E chorou tanto, que suas lágrimas se derramaram sobre a areia e formaram o riacho Ibicuiretã, que há muitos anos atrás corria por ali e podia ser atravessado a pé. Ibicuiretã, em guarani, significa rio que corre sobre a areia. Por isso o local foi batizado pelos primeiros habitantes com o nome de Caminho do Passo da Areia.
E hoje ali está, como símbolo da lenda que deu nome ao bairro, a estátua da índia Obirici, com os braços levantados para o céu, chorando a perda de seu grande amor.
Quanto ao riacho Ibicuiretã, este não pode mais ser visto, pois foi canalizado e agora escorre por baixo do chão, seguindo na direção do estádio do Esporte Clube São José."
Extraído de: TERRA, Eloy. As Ruas de Porto Alegre. Porto Alegre: Ed. Age, 2001. p. 45-46.







Lenda de Obirici. Têmpera de Nelson Boeira Fãedrich. Disponível em: http://www.margs.rs.gov.br/ndpa_dossies_artista_imagens.php?par_id=154
____________________________________________________________________________________________
Escolhemos como patrimônio o monumento à Índia Obirici. Ele é composto por escultura em bronze, chafariz e espelho d’água. A escultura foi modelada por Mário Arjonas e projetada por Nelson Boeira Fairich. Foi inaugurado no ano de 1975 junto com o Viaduto Obirici, localizando-se ao lado, no cruzamento das avenidas Plínio Brasil Milano e Brasiliano Índio de Moraes em Porto Alegre. A inauguração do viaduto marca uma importante expansão e estruturação da zona norte da cidade. Neste momento, o riacho Ibicuiretã foi canalizado e a estátua colocada no lugar de sua nascente.
Ele é considerado um patrimônio devido à lenda da Índia Obirici. Conta-se que era filha do cacique dos tapi-mirins, apaixonada por Arakém, assim como sua amiga Iurá. Arakén era apaixonado pelas duas e, para a solução do problema, ele sugere uma disputa, da qual Obirici perde e fica a chorar. Chora tanto que suas lágrimas formam um riacho – O Ibicuiretã. Seu curso atravessa o Passo d’Areia e deságua no rio Gravataí (Adaptado de História Ilustrada de Porto Alegre, 1997. p. 12).
Este patrimônio tem relevância para a história da cidade de Porto Alegre como bem material pelo belíssimo monumento que recorda a ocupação indígena neste território e como bem cultural por manter viva a lenda da índia Obirici. Tem grande importância social em função de o viaduto receber este nome em homenagem à índia.
O patrimônio foi escolhido por localizar-se próximo da escola, ser um dos símbolos da zona norte e, infelizmente, estar abandonado. Existem pichações no entorno, seu chafariz encontra-se desativado e o riacho canalizado próximo ao monumento está poluído. “A conscientização pública de que a importância do bem surge de sua vivência, de sua relação com a comunidade e é formada a partir das significações e valores que lhe são atribuídos é imprescindível” (CCNM, 2009). Por tudo isso, é necessário recordar à comunidade e à cidade de Porto Alegre a importância deste patrimônio e a necessidade de preservá-lo.

Referências bibliográficas:
Atlas Ambiental de Porto Alegre. 2ª edição. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1998. 228p. Parte II: O Sistema Construído.

CCNM. Patrimônio no Brasil; Conceitos e Trajetória. Disponível na internet via WWW. URL: [http://www.ccnm.org.br/material/1.pdf]. Acesso em: 15 out. 2009.

História ilustrada de Porto Alegre. 1ª edição. Porto Alegre: Já Editores, 1997. 192p.

TERRA, Eloy. As Ruas de Porto Alegre. 1ª edição. Porto Alegre: Ed. Age, 2001. 184p.


0 comentários:

Postar um comentário

Loading...
 

Quem sou eu

Sou licenciada em História pela UFRGS, mãe da Anita e natural de Porto Alegre. Tenho 25 anos, gosto de ler, viajar, conversar. Gosto da noite, de poesia, do calor e de bolinhos de chuva. Sempre quis ser professora, apesar e provavelmente por as pessoas acharem isso loucura. Penso e faço muitas coisas interessantes e/ou divertidas. Algumas delas estarão postadas aqui.

VISUALIZAR MEU PERFIL COMPLETO